A questão é quão radicais, ou inovadoras, devem ser as mudanças a serem introduzidas em nossa educação.
“Mudança Educacional” e “Inovação Educacional” são expressões que estão em moda. Nicholas Negroponte, em seminário realizado em 2004, defendeu a tese de que o grau de inovação, ou a radicalidade, nas mudanças que decidimos promover na educação é inversamente proporcional à qualidade que atribuímos ao sistema escolar. Se consideramos o sistema escolar excelente, não nos arriscaremos a introduzir grandes inovações ou mudanças radicais nele. Mas se o considerarmos ruim, admitiremos um grau muito maior de inovação nas mudanças que consideramos necessárias ou aceitáveis.
Isso significa que países como a Finlândia, em que o sistema escolar é percebido como de excelente qualidade, dificilmente serão os mais inovadores na área da educação. As maiores inovações, segundo Negroponte, deverão vir de países, como o Brasil, em que a qualidade do sistema escolar é considerada muito aquém do desejável.
Há razoável consenso entre os pensadores, hoje em dia, de que, embora a tecnologia, por si só, não vá conseguir introduzir as mudanças necessárias no sistema escolar, essas mudanças não acontecerão sem a tecnologia. Assim a tecnologia é condição necessária, mas não suficiente, das mudanças que o sistema escolar está a exigir – lá fora e aqui no Brasil.
Diante disso, a necessidade de introduzir mudanças inovadoras no sistema escolar a partir dos novos recursos tecnológicos aparece com força cada vez maior. Essas mudanças visariam a inserir os atores do meio educativo (alunos, professores, gestores e comunidade) na Sociedade da Informação e do Conhecimento – ou, inversamente, trazer a Sociedade da Informação e do Conhecimento para dentro dos ambientes de aprendizagem vinculados à escola.
Sempre dependemos das tecnologias, desde a época da invenção da roda. Não obstante, as tecnologias – em especial as de informação e comunicação – vêm assumindo um papel cada vez mais importante em nosso viver diário, em nosso trabalho, em nosso lazer, e, naturalmente, em nossa aprendizagem. Além disso, essas mesmas tecnologias vêm evoluindo a um ritmo sem precedentes!......
Fonte: Em tempos de nativos digitais: a inovação educacional
Paloma Epprecht e Machado & Renata Mandelbaum*
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